A guerra assimétrica à luz do pensamento estratégico clássico

Brúmmel Vazquez Bermúdez

Abstract


No pensamento de Clausewitz, a guerra não é arte nem ciência, é um fenômeno que pertence ao campo da existência social, e que, dependendo das condições, pode tomar formas radicalmente diferentes, modificando a sua natureza em cada caso concreto, em analogia ao atributo do camaleão. De forma mais poética, Sun Tzu, por sua vez, faz uma parábola do emprego apropriado das forças e combate com a flexibilidade da água, batendo contra as fraquezas do inimigo e evitando os seus pontos fortes. Estas citações, que definem um marco conceitual, são os pontos de partida na tentativa de enfocar a guerra assimétrica, desde a perspectiva dos clássicos do pensamento estratégico militar, por meio da análise de um caso, no intuito de vislumbrar uma integração da psicologia oriental com a mecânica ocidental do ponto de vista árabe.

Por que a escolha só de Clausewitz e de Sun Tzu? Por antonomásia, o pensamento estratégico clássico se refere, em termos gerais, ao confronto de inimigos simétricos, porém esta consideração não exclui uma abordagem do conflito assimétrico, o que valida a escolha.

No entanto, autores, como Jomini, pretendem simplificar o fenômeno bélico a uma série de princípios ou regras “cuja aplicação conduz à vitória na guerra” (19:87), tendo sido, por este motivo, desconsiderado para o propósito da investigação.

A guerra assimétrica domina na atualidade tanto a atenção militar quanto a pública, devido a sua espetacular irrupção no dia-a-dia mundial e a sua “redescoberta”, dado que ela não é um conceito novo. Redescoberta que ocorre porque as guerras que confrontam atores estatais e não estatais em torno de motivações seculares são enxergadas com dramatismo, quando elas atingem o solo e os símbolos do poderio do maior império, aliás, desde os tempos de Roma - os Estados Unidos da América (EUA).

Com o fim da guerra fria, fato considerado ingenuamente como a ante-sala de uma nova ordem mundial, chegando-se inclusive a preconizar o “fim da História”3, esperava-se uma Terra mais estável e pacífica, considerando-se que “um mundo feito de democracias liberais teria então menor incentivo para as guerras” (11:21). Porém, aconteceram muitos conflitos que têm afetado a paz no mundo nos últimos anos, contrariando Fukuyama e sua visão idealista. No intuito de encontrar uma resposta de corte geopolítico, Vesentini (25:64) assegura que existiriam dois importantes desafios ou “contradições” da democracia liberal para se constituir no instrumento da convivência pacífica no mundo: o fundamentalismo religioso e o nacionalismo e outras formas de consciência étnica. Esta primeira contradição explicaria esses ataques civilizacionais (huntingtonianos) sofridos pelos EUA, nessa data que ingressou no calendário histórico da humanidade para marcar o início de uma nova era.

Sob os lineamentos desta introdução, o foco da investigação estará centrado, então, na definição da guerra assimétrica, na análise da campanha fundamentalista da rede Al Qaeda, e nas repercussões para as forças armadas de nossos países.


Refbacks

  • There are currently no refbacks.


Copyright (c) 2017 REVISTA DA EGN

Indexes and directories:
resultado de imagem para Diadorim AZUL resultado de imagem para LOGO DE DOI CrossRef resultado de imagem para CAPES PERIÓDICAS Todo o conteúdo deste periódico, exceto onde está identificado, está licenciado sob uma Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional
 
 

REVISTA DA ESCOLA DE GUERRA NAVALJOURNAL OF THE NAVAL WAR COLLEGE

e-ISSN: 2359-3075
ISSN: 1809-3191

INSTRUCTIONS FOR AUTHORS ON-LINE SUBMISSION