Avaliando um emergente: os think tanks britânicos e os investimentos brasileiros em defesa

Dilceu Roberto Pivatto Junior, Eduardo Munhoz Svartman

Abstract


No final da primeira década do século XXI o Brasil iniciou um ciclo de maior ativismo diplomático e de investimentos no setor de defesa. Estes, com vistas a adquirir capacidade de projeção de poder e a fomentar sua indústria de defesa. Tais iniciativas, com potencial de alterar a distribuição de poder na América do Sul e no Atlântico Sul, afetam os cálculos de potências estabelecidas como o Reino Unido, que possui territórios, interesses econômicos e tropas estacionadas na região. Diante disso, este artigo investiga a seguinte problemática: considerando os interesses estratégicos do Reino Unido e o incremento das capacidades militares que o Brasil pretende alcançar, qual a avaliação dos think tanks britânicos a respeito dos investimentos em defesa brasileiros? Com base na metodologia de análise de conteúdo da produção ideacional divulgada, argumenta-se que os think tanks britânicos articularam uma narrativa majoritariamente positiva sobre o Brasil, vislumbrando nos programas militares oportunidades para a indústria de defesa do Reino Unido. Argumenta-se também que o incremento das capacidades militares do Brasil e de seu protagonismo diplomático foram percebidos como um elemento potencialmente estabilizador da América do Sul, ainda que houvesse ceticismo quanto a efetividade e real disposição do Brasil desempenhar esse papel.

Keywords


think tanks; relações Brasil-Reino Unido; países emergentes; defesa nacional; segurança internacional

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